terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Nós e eles


Encontrei por acaso um amigo que muito tenho admirado ao longo da vida; intelectual, literato, analista político e pessoa de bom senso, figura grada e respeitada nos vários meios mas, perdoem – me, cujo nome oculto porque o diálogo foi secreto.
Diz- me ele quase em segredo -  Vai ver que têm que morrer muitos mais. Somos 7 mil milhões, temos que deixar morrer pelo menos 3 mil milhões para que a proporcionalidade humana se normalize.
- 3 mil milhões?
- Sim e as guerras e os desastres e a fome  nos imigrantes pelo mundo fora é o acto de defesa do próprio homem, na defesa da espécie porque não há alimentos para tanta gente.
- O quê ? Vamos matá – los?
- Não – diz ele com ar de ofendido -  deixamos – los morrer simplesmente.

Engoli em seco e virei – me para cumprimentar outros amigos, parecendo vindos do céu, desses que não gostam destas conversas.

E os velhos ?


Quando se chega à terceira idade costumamos pensar que é o crepúsculo da existência. Poderá ser ou não, mas uma coisa é certa; é o início de uma nova etapa.
É a altura de aquecer o que foram músculos, de medir as pulsações, o colesterol, a tensão e  os outros níveis todos que a ciência médica recomenda e as farmácias e laboratórios cobram. Depois é fazermos – nos ao caminho. Uns vão devagar outros aceleram quanto podem. Uns riem por tudo e por nada e outros choram pelo mesmo. Uns apaixonam – se como não é uso nem a sociedade tolera, outros desapaixonam – se. Uns abanam a cabeça, outros dão murros nela.
Em conclusão; porque é que o homem a partir de certa idade, salvo raras exceções, não merece o que sempre mereceu; respeito e carinho?

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Apenas porque deixou de produzir, de ser rentável. Já não pode ser explorado, nem transformado em pau para toda a obra.  A verdade é que a maioria dos mais velhos já morreu e nem sabe disso.